Existem algumas plantas que surpreendem ao sobreviver a todas as adversidades.
Algumas se dão muito bem em ambientes extremamente úmidos; outras superam todas as expectativas ao crescerem vibrantes em solos desolados, com calor extremo e escassez de água.
Uma delas, porém, é tão impressionante que virou até pauta da Ciência. Esse pequeno arbusto é tão resistente ao calor que consegue tolerar até mesmo as altas temperaturas do Vale da Morte, que chegam a 50 ºC ou mais.
Mas qual seria essa planta? E o que se sabe sobre ela? Entenda mais sobre essa maravilha da natureza abaixo.
A planta que floresce até no Vale da Morte
O motivo de tanta comoção é um arbusto florido endêmico do Vale da Morte, na Califórnia, EUA.
Chamada de Tidestromia oblongifolia, essa é uma das plantas mais tolerantes ao calor conhecidas pela Ciência — e pode revelar pistas sobre como os vegetais podem lidar com o aumento das temperaturas e, consequentemente, o aquecimento global.
É comum que a maioria das culturas agrícolas não consiga suportar temperaturas acima dos 35 ºC. Com isso, boa parte das fontes de alimentos vegetais pode sofrer com as altas temperaturas, à medida que as mudanças climáticas avançam.
Mas isso não é um problema para essa espécie: ela é capaz de florescer até mesmo no Vale da Morte, que é um deserto onde já foi registrada a temperatura mais quente da Terra, de 56,7 ºC em 1913. Só em 2023, o local atingiu incríveis 53,3 ºC.
Por trás de sua sobrevivência
Para entender mais sobre essa maravilha da natureza, cientistas da Michigan State University iniciaram pesquisas para saber se plantações poderiam se tornar mais resistentes ao calor, incorporando características de organismos que preferem condições mais quentes.
Em um artigo publicado na bioRxiv, eles tratam de alguns dos truques que a T. oblongifolia utiliza para lidar com o calor.
Para isso, eles estudaram a planta cultivando-a em uma câmara em laboratório, primeiro em temperaturas moderadas, depois em condições que simulavam o calor intenso do Vale da Morte.
Como comparação, também cultivaram uma planta parecida, nativa do México, a Amaranthus hypochondriacus.
Eles então descobriram que, sob as condições do deserto, A. hypochondriacus parou de crescer completamente em poucos dias, mas a T. oblongifolia prosperou, triplicando sua biomassa em 10 dias.
Assim, mesmo no limite superior da câmara, com 50 ºC, ela ainda exibiu uma fotossíntese eficaz. Os cientistas estão até mesmo construindo uma nova câmara, que pode ser aquecida até 60 ºC, de modo que possam entender até onde conseguem levar a planta.
Com base em uma análise mais detalhada do arbusto, foi possível descobrir alguns dos truques engenhosos que ela usa para lidar com o deserto.
Nesse sentido, as células das folhas do arbusto podem ficar menores, aumentando a densidade dos cloroplastos, que é onde ocorre a fotossíntese.
Ao mesmo tempo, boa parte das mitocôndrias das folhas, responsáveis por fornecer energia, se aproximam dos cloroplastos. A partir de então, esses processos podem aumentar a capacidade de fotossíntese da planta, independentemente das condições climáticas.
Além disso, os cloroplastos de uma planta, que costumam ter um formato de disco, assumiram nessa espécie uma forma de xícara bastante curiosa.
Os pesquisadores acreditam que foi isso que permitiu que eles retivessem o dióxido de carbono e prevenissem vazamentos com maior eficácia durante a fotossíntese.
Da mesma forma, identificaram milhares de genes na planta que aumentaram ou diminuíram sua expressão à medida que a temperatura subia.
Comparando-os com genes similares estudados em outras plantas, foi possível deduzir que eles estavam envolvidos em impulsionar a fotossíntese, protegendo a planta do estresse térmico e realizando mecanismos de desintoxicação e reparo.
A partir de agora, a equipe está em busca de identificar os genes mais importantes responsáveis por essa curiosa tolerância ao calor, de modo que possam, esperançosamente, transferi-los para culturas agrícolas.

