Pelo menos 49,6 milhões de brasileiros e 5 milhões de empresas ainda podem resgatar os R$ 10,3 bilhões esquecidos no sistema financeiro. A informação foi divulgada pelo Banco Central (BC) na última terça-feira (10).
O dinheiro integra o Sistema Valores a Receber (SVR), um serviço do Banco Central que permite consultar se um indivíduo, uma pessoa falecida ou uma empresa têm dinheiro esquecido em alguma instituição financeira ou administradora de consórcios.
Feita a consulta, esses valores podem ser resgatados, visto que eles ficam em saldos de contas encerradas, créditos em instituições ou tarifas estornadas. Para esta conta, os dados consolidados são de 2025.
Dinheiro esquecido
De acordo com o Banco Central, até o momento, já foram devolvidos cerca de R$ 13,35 bilhões em recursos esquecidos nos bancos.
Em tese, o prazo final para se informar destes recursos teria acabado em 16 de outubro de 2024, mesmo antes da definição dos valores atuais. Contudo, o Ministério da Fazenda informou que o prazo para clientes resgatarem o dinheiro é inexistente.
Dos mais de R$ 10 bilhões restantes, boa parte pertence a pessoas físicas com recursos espalhados em uma série de instituições financeiras e diferentes espécies de operação.
Estima-se que a baixa procura pelo resgate se dê pelo fato de que pelo menos 64% dos beneficiários têm valores muito baixos para resgatar, como de R$ 10. Apenas 1,9% teriam mais de R$ 1 mil disponíveis.
Até o fim do ano passado, pelo menos R$ 318 milhões teriam sido sacados por mais de 31,8 milhões de correntistas, sendo 28,8 milhões pessoas físicas e 2,9 milhões pessoas jurídicas.
Como consultar?
O único site que permite fazer a consulta dos valores a receber, assim como solicitar sua devolução, é o endereço oficial do Banco Central.
O procedimento é totalmente gratuito e, para a consulta, não é preciso fazer o login, basta informar o CPF e a data de nascimento ou o CNPJ e a data de abertura da empresa. Isso também funciona para empresas encerradas.
Para o resgate de valores, por sua vez, é necessário ter uma conta gov.br, sendo ela de nível Prata ou Ouro, com verificação de duas etapas habilitada. A retirada pode ser feita de duas formas:
- Entrando em contato com a instituição responsável pelo valor e solicitando o recebimento;
- Realizando a solicitação diretamente pelo SVR.
Desde ano passado, o Banco Central permite a solicitação automática de resgate, onde o cidadão não precisa consultar o sistema por determinados períodos ou sequer registrar seus pedidos por todos os valores em seu nome. Esse serviço, porém, só está disponível para pessoas físicas, portadoras de chave Pix do tipo CPF.
Caso o recurso exista e seja disponibilizado, o crédito vai direto para a conta do cidadão.
É importante ter em mente que todos os serviços do SVR são gratuitos, ou seja, não exigem nenhum tipo de pagamento para acessar os valores.
Da mesma forma, para evitar cair em golpes, vale lembrar que o BC não envia links ou entra em contato com qualquer cidadão para tratar do dinheiro esquecido, muito menos para confirmar dados pessoais.
A única instituição que pode contatar o indivíduo é a que aparece no SVR e, da mesma forma, ela não faz solicitação de senha.
O que pode ser recebido?
Existe uma série de recursos que podem ser recuperados pelo sistema do BC. São eles:
- Valores em contas-correntes ou poupanças já encerradas;
- Tarifas cobradas de forma indevida;
- Recursos de grupos de consórcio encerrados não resgatados;
- Cotas de capital e rateio de sobras líquidas, desde que de ex-participantes de cooperativas de crédito;
- Contas de pagamento pré ou pós-pagas já encerradas;
- Contas de registro de corretoras e distribuidoras já encerradas;
- Parcelas ou despesas de operações de crédito com cobrança indevida;
- Demais recursos disponíveis que tenham sido esquecidos.

