O bolso do motorista baiano sofreu com uma nova decisão nesta terça-feira (10). O preço da gasolina comum registrou uma alta significativa em todo o estado, atingindo a marca de R$ 7,49 em Salvador.
Este já é o segundo reajuste em apenas cinco dias, acumulando uma alta superior a R$ 0,50 por litro desde o início de março.
A Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe, informou que o preço de venda para as distribuidoras subiu 7,5%, passando de R$ 2,8845 para R$ 3,1018. Este é o valor mais alto praticado pela refinaria desde outubro de 2025.
Impacto nas bombas: variação por bairro
A disparidade de preços na capital baiana é expressiva, variando conforme a estratégia de cada estabelecimento e localização. Enquanto alguns postos ainda seguram valores abaixo dos sete reais, outros já repassaram o aumento de forma integral.
Confira abaixo o balanço de preços em Salvador:
- Avenida Pinto de Aguiar: R$ 7,49;
- Juracy Magalhães: R$ 7,13;
- Patamares: R$ 6,99;
- Avenida Paralela: R$ 6,73.
Em Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, o preço médio após o reajuste estabilizou em R$ 6,73, acompanhando a tendência de alta.
Justificativa da Acelen e o mercado internacional
Em nota oficial, a Acelen justificou que os preços seguem critérios de mercado, levando em conta variáveis como o custo do barril de petróleo, a cotação do dólar e os gastos com frete.
A empresa reforçou que seus contratos com revendedores preveem esses ajustes de forma transparente, baseando-se em cenários econômicos globais.
O setor de combustíveis tem manifestado preocupação com os conflitos no Oriente Médio envolvendo o Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo o SindiCombustíveis Bahia, essa instabilidade internacional pressiona as cotações e gera reflexos diretos no Brasil, trazendo inclusive riscos de desabastecimento em determinadas regiões.
Investigação por prática abusiva
A escalada de preços na Bahia e em outros quatro estados (Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal) chamou a atenção do Governo Federal.
Com isso, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) oficiou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para investigar possíveis práticas abusivas.
O pedido de investigação surgiu após sindicatos relatarem aumentos por parte das distribuidoras, mesmo sem anúncios oficiais de reajuste por parte da Petrobras em suas unidades.
A Senacon busca avaliar se há indícios de conduta comercial combinada entre concorrentes para elevar os lucros de forma artificial.
Já o setor varejista, representado pelo Sincopetro, defende os donos de postos. Segundo a entidade, o revendedor apenas repassa o aumento que recebe das companhias distribuidoras, não sendo o responsável pela definição das altas.
Histórico recente das altas
Com base na aceleração dos preços nas últimas semanas, o valor do litro saiu da refinaria para os revendedores com as seguintes altas:
- 26/02/2026: R$ 2,5845;
- 05/03/2026: R$ 2,8845;
- 10/03/2026: R$ 3,1018 (maior valor registrado desde 2 de outubro de 2025. Na época, o litro chegou a custar R$ 2,8940).

